Disputa pelo comando da Assembleia pode provocar racha na base aliada

Atual presidente da Casa, Júnior Mochi (PMDB) tenta a reeleição, mas o PSDB quer o cargo

Willams Araújo

De Campo Grande

Beto Pereira é o candidato do PSDB à presidência da Assembleia (Foto: Divulgação )

A disputa pelo comando da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul pode provocar um racha na base aliada do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que dispõe de maioria dos parlamentares na Casa.

Atual presidente da Mesa Diretora, o deputado estadual Júnior Mochi (PMDB) tenta a reeleição, mas o PSDB, cuja bancada é majoritária, quer o cargo, tendo indicado para eventual confronto o tucano Beto Pereira.

Interessado na unidade de sua base de sustentação, Reinaldo procura conciliar na tentativa de evitar o pior, tendo aconselhado a composição de uma chapa de consenso. Se não der, a disputa será inevitável.

Nos últimos dias, o governador tem feito uma ponte entre Brasília, onde esteve várias vezes negociando a repatriação de dinheiro do exterior para o Estado, e Campo Grande, onde tem se reunido com freqüência para tratar da sucessão da Mesa.

As tentativas de negociação também estão sendo conduzidas pelo secretário Sérgio de Paula (Casa Civil), principal articulador político do governo, que na semana passada confirmou Beto Pereira como candidato do PSDB.

“O que o governo quer é garantir a governabilidade. Temos mais dois anos de governo e queremos os deputados do nosso lado”, afirmou o secretário da Casa Civil, após encontro com Reinaldo Azambuja, no qual ficou definida a candidatura de Beto Pereira.

A intenção do Parque dos Poderes é convencer Mochi a abrir mão de seu projeto de reeleição, vindo a apoiar o candidato do PSDB.

Há quem garanta que Beto Pereira será o próximo presidente do Legislativo mesmo diante de um candidato que tem a caneta na mão e pode influenciar a seu favor na disputa por causa das benesses e privilégios comumente existentes nos legislativos.

Em princípio, Mochi teria o apoio de Reinaldo Azambuja para comandar a Casa por mais dois anos de mandato, cujo compromisso teria sido feito durante o período da campanha eleitoral.

Embora ligado ao grupo político liderado pelo ex-governador André Puccinelli, Mochi foi parceiro de primeira hora da candidata derrotada do PSDB à prefeitura de Campo Grande, a vice-governadora Rose Modesto, que perdeu o segundo turno das eleições para Marquinhos Trad (PSD).

Após a derrota do PSDB, o cenário político se alterou com a possibilidade de confronto entre os aliados na eventualidade de não haver consenso na composição da chapa.

A maior preocupação no alto tucanato é com a possibilidade de Mochi, caso reeleito, municiar a candidatura de André Puccinelli em 2018, num confronto com Reinaldo Azambuja, que se movimenta para ter uma reeleição tranqüila.

OPERAÇÃO CAÇA FANTASMAS

As articulações em torno da composição da nova Mesa Diretora da Assembleia, no entanto, coincidem com um assunto indelicado e desgastante do ponto de vista político para o legislativo: as acusações envolvendo os deputados Paulo Corrêa (PR) e Roberto Orro (PSDB), grampeados tramando fraude no ponto de freqüência dos servidores da Assembleia.

A ideia dos parlamentares seria “driblar” reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, que investiga a existência de funcionários fantasmas (aqueles que recebem dinheiro público sem trabalhar) pelo País afora, como o fez no estado do Rio Grande do Sul.

Apesar das manobras dos envolvidos e das demissões de alguns servidores publicadas há dias no Diário Oficial, o assunto ainda domina a mídia estadual desde que um pastor de Maracaju gravou a conversa por meio de um aplicativo em seu celular.

O pastor Jairo Fernandes, dono do celular, foi chamado pela Assembleia para explicar o assunto. No enquanto, ainda não deu satisfação sobre o grampo clandestino que fez envolvendo Corrêa e Orro.

Assim que todos os depoimentos forem colhidos pela Corregedoria, relatório será emitido recomendando ou não à presidência da Casa instalação de Comissão de Ética e Disciplina para apurar ausência de decoro dos deputados.

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