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Mato Grosso do Sul pede a Temer apoio das Forças Armadas na fronteira

Solicitação foi feita após reunião no Palácio do Planalto na semana passada e confirmada ao G1 pelo governo do estado; ainda não há resposta do governo federal para o pedido.


O governo do Mato Grosso do Sul informou ao G1nesta segunda-feira (23) que solicitou apoio das Forças Armadas nas regiões de fronteira. O objetivo, segundo a assessoria, é aumentar o controle das fronteiras e combater o tráfico de drogas. O estado faz fronteira com Bolívia e Paraguai.

O pedido de auxílio das Forças Armadas foi feito diretamente ao presidente da República, Michel Temer pela vice-governadora do estado, Rose Modesto, após reunião no Palácio do Planalto na última quarta-feira (18), convocada para discutir a crise de violência e rebeliões nas penitenciárias brasileiras. O estado, porém, ainda não oficializou o pedido. Só depois disso é que o governo federal deve dar a resposta.

O encontro foi realizado um dia após o governo federal anunciar que colocaria as Forças Armadas à disposição dos governadores de todo o país para operações específicas em presídios – somente neste ano, mais de 130 presos morreram em motins e disputas de facções em presídios, principalmente no Norte e Nordeste.

O Fantástico, da TV Globo, informou há duas semanas que a ordem para a rebelião que resultou no massacre de 56 detentos no Complexo Anísio Jobim, em Manaus (AM), partiu de chefes de facções criminosas presos no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS).

Embora não tenha registrado rebeliões em presídios neste ano, Mato Grosso do Sul é o segundo estado a solicitar apoio das Forças Armadas para atuação nas regiões de fronteiras. Na semana passada, o governo de Roraima já havia feito pedido semelhante. Roraima também solicitou apoio dos militares para inspeções nos presídios.

Para os governos dos dois estados, o controle da entrada e da saída de drogas nas fronteiras pode enfraquecer as facções criminosas que se sustentam do dinheiro do tráfico e que, atualmente, são centro da crise nos presídios brasileiros. Além disso, entendem que o controle das fronteiras não cabe apenas aos estados, mas também ao governo federal.

Ajuda em Roraima

Além do Mato Grosso do Sul, Roraima é o único estado a também pedir a ajuda das Forças Armadas nas fronteiras. De acordo com o governo do estado, são 1,9 mil quilômetros de fronteira desguarnecidos e “que servem a rotas internacionais de tráfico de drogas e outros ilícitos transfronteiriços”. Roraima faz fronteira com a Venezuela e a Guiana.

A solicitação inclui ainda a presença das tropas dentro dos presídios locais diante da crise penitenciária e também foi feita logo após a reunião com o presidente Michel Temer no Planalto.

No dia 6 de janeiro, 33 presos foram assassinados na maior unidade prisional de Roraima. O governo atribuiu o massacre a uma facção. Os mortos, no entanto, não pertenciam a nenhum grupo criminoso. Há mais de 10 dias, 102 agentes da Força Nacional atuam na segurança dos presídios do estado.

Controle nas fronteiras

Na última quinta (19), o secretário de Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Cezar Schirmer, afirmou ao G1 que, em vez de enviar as Forças Armadas para dentro dos presídios para operações específicas, seria “mais importante” para o governo daquele estado se os militares agissem “mais fortemente” ao longo da área de fronteira com a Argentina e o Uruguai.

Schirmer disse considerar que a autorização para que as Forças Armadas auxiliem na segurança dos presídios estaduais foi motivada, sobretudo, por um apelo dos governadores de Roraima, Amazonas e Rio Grande do Norte, que foram palco de massacres de presos nas últimas semanas.

O Rio Grande do Sul não formalizou um pedido de ajuda ao governo federal. O secretário disse, porém, que já conversou “superficialmente” sobre um possível pedido com o ministro da Justiça e que ficou de reunir mais informações para voltar a tratar com o governo federal sobre o tema.

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