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Cineasta conta que se sentiu criminoso ao se descobrir gay

Irmão de Luciano Huck lança canal no YouTube neste domingo (12); no primeiro episódio, ele conta como foi descobrir sua sexualidade

© Reprodução / Instagram

CULTURA TABU/POR NOTÍCIAS AO MINUTO

O cineasta Fernando Grostein Andrade, de 36 anos, conta em entrevista como se sentiu quando jornais de todo o país divulgaram a notícia que ele é gay. A repercussão foi tamanha que a sua conta no Instagram foi de de 8.000 para 35 mil seguidores e a notícia foi uma das mais lidas nos principais sites. “Eu não sabia que em 2016 é notícia um cineasta ser gay”, desabafa.

O produtor revelou à jornalista Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo que recebeu “milhares de mensagens de apoio, de jovens, de mães. E até de pessoas religiosas dizendo ‘não concordo, mas tudo bem, continuarei gostando de você e de seus filmes'”.

Fernando é irmão do apresentador Luciano Huck e lidera a página Quebrando o Tabu, com 6,8 milhões de seguidores. Ele já dirigiu diversos documentários, como “Coração Vagabundo”, em que viajou pelo mundo registrando a intimidade de Caetano Veloso; “Quebrando o Tabu”, em que acompanhou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por vários países do mundo para um trabalho de legalização das drogas.

Neste domingo (12), o cineasta lança um canal de autoria da sua produtora, a Spray Filmes, no YouTube. No capítulo inaugural, ele fala sobre a sua sexualidade. Fernando disse que não falará mais de temas pessoais nos episódios a seguir.

O irmão de Huck conta a sua história desde quando tinha apenas dez anos e o seu pai, Mário de Andrade, publisher da revista “Playboy”, discutia as capas com mulheres nuas à mesa de jantar. Ele faz a pergunta: “Você já se sentiu um ET?”.

O meu pai era ‘o’ cara da ‘Playboy’. E o que tinha de diferente na nossa casa é que no jantar, em vez de só discutir assuntos normais, a gente discutia a ‘Playboy’ da Maitê Proença, da Luma de Oliveira. Meus amigos vinham para a minha casa porque lá podia ter ‘Playboy’ à vontade. Aí, conforme foi passando o tempo, eu comecei a me sentir um pouquinho às vezes estranho porque parecia que tinha alguma coisa diferente de mim com relação aos outros meninos. Com 10 anos o meu pai faleceu [de um ataque cardíaco], eu fiquei completamente de luto.”

No vídeo, o cineasta conta como foi se sentir “um peixe fora d’água”, sofrer bullying na escola e descobrir a sua sexualidade. Até que perdeu a virgindade com uma garota de programa, como se fosse uma “obrigação”. À Folha de São Paulo, ele revelou o quão dura foi esta descoberta e que chegou a se sentir criminoso.

Eu cresci achando que estava doente, que meu desejo era algo para se envergonhar, que aquilo era crime, até. Eu me lembro que, naquela época, era normal entre os meninos que eu conhecia, da minha idade, ir no Jockey jogar ovos nas travestis à noite. Nunca fiz isso, que fique claro. Mas só para você entender o ambiente em que eu cresci.”

No YouTube, ele descreve como foi namorar um garoto pela primeira vez. “Foi aí que um belo dia aconteceu de eu estar bêbado, de um outro amigo meu estar bêbado, e a gente ficou. No dia seguinte ele falou pra mim: ‘Olha, se você contar para alguém eu te mato’.”

Aí ele jogou uma bomba na minha casa, um monte de bombinha de São João. O que foi bem assustador. E eu fui cada vez mais me colocando no armário, no armário. Até que a coisa foi ficando insustentável e tive coragem de ir contando para a minha família que eu era gay.”

Por fim, Fernando diz que se sente aliviado por se assumir.

É muito bom você estar em paz. Vale a pena você assumir. E [saber] que pode acreditar e confiar. É difícil no começo, mas passa. E depois você se aproxima da sua família, dos seus amigos, a tua vida fica melhor. Você encontra a sua felicidade.”

 

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