Governador de MS chama operação Carne Fraca de ‘pirotecnia’

Mato Grosso do Sul é um dos maiores produtores de carne do país.
Azambuja disse que operação desqualificou toda a carne brasileira.

Paulo FernandesDo G1 MS

“Não se pode criminalizar toda a carne brasileira", diz Azambuja (Foto: Chico Ribeiro / Asssessoria de Imprensa do governo de MS)“Não se pode criminalizar toda a carne brasileira”, diz Azambuja (Foto: Chico Ribeiro/ Governo de MS)

O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, disse, neste domingo (19), durante assinatura de ordem de serviço para reconstrução de uma ponte em Guia Lopes da Laguna, a 213 quilômetros de Campo Grande, que a Polícia Federal prestou um desserviço ao fazer o que ele chamou de “pirotecnia” diante da operação Carne Fraca, que identificou irregularidades em 21 frigoríficos, em várias partes do país.

“Não se trata de defender os maus funcionários e empresários corruptos, que devem ser punidos com rigor. O que nos causa preocupação é por que essa pirotecnia, desqualificando toda a carne brasileira. Isso é muito ruim, prejudicial ao mercado e ao país. Será que tem algum pano de fundo nisso tudo?”, questionou.

Mato Grosso do Sul não está entre os estados alvos da operação, mas é um dos maiores produtores de carne do país. Somente no primeiro bimestre do ano, o estado exportou US$ 48,586 milhões em carnes desossadas de bovino, congeladas; além de US$ 43 milhões em pedaços e miudezas de galos e galinhas congeladas e US$ 23,54 milhões em carnes desossadas de bovino, frescas ou refrigeradas.

Segundo Azambuja, o Brasil já enfrenta resistências de países, como Estados Unidos e Austrália, em razão do crescimento das exportações brasileiras. “Há 5 mil frigoríficos em todo o País e se há uma investigação há dois anos os culpados já deveriam estar presos. É um erro da investigação em passar a impressão que todos os frigoríficos agem de má fé em prejuízo ao consumidor. A certificação sanitária no Brasil é reconhecida internacionalmente, a carne produzida aqui é considerada de alta qualidade”, disse o chefe do Executivo.

JBS e Brasília
Reinaldo afirmou ainda que vai se reunir com entidades do setor pecuário e avaliar com o Ministério da Agricultura o impacto do que chamou de “estardalhaço” da Polícia Federal. Nas eleições de 2014, Reinaldo Azambuja recebeu da JBS R$ 10,5 milhões, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), através da direção nacional e do Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República.

No sábado (19), o secretário de Estado e Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, também falou sobre a operação da Polícia Federal. Para ele, a repercussão negativa que a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pode surtir no mercado consumidor do produto, tanto interna quanto externamente.

“Como um dos maiores produtores e exportadores de carne bovina do país, Mato Grosso do Sul pode ser seriamente prejudicado caso os fatos não sejam claramente esclarecidos e pairem dúvidas nos consumidores quanto à qualidade do produto de origem local”, declarou.

“A forma de divulgação das notícias tem apresentado o problema maior que ele é. O Brasil possui um sistema de vigilância sanitária extremamente eficiente, reconhecido no mercado internacional. Temos que focar nos problemas identificados de determinadas plantas industrias e de determinadas empresas e tomar medidas rápidas para dar segurança ao mercado. O risco, hoje, é desestruturar a cadeia produtiva de aves, bovinos e suínos, comprometendo as exportações e o consumo interno”.

Segundo a assessoria de imprensa do governo, o secretário Jaime Verruck irá a Brasília, nesta segunda-feira (20), para buscar informações adicionais junto ao Ministério da Agricultura, bem como verificar quais são ações podem ser adotadas para não prejudicar as exportações de Mato Grosso do Sul.

POSTADO POR: LARYSSA ANTUNES

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