Doença de Hashimoto é um distúrbio que afeta a tireoide e pode evoluir para quadros de hipotireoidismo, em que há falta dos hormônios secretados por essa glândula.

Comum em mulheres, ele muitas vezes não apresenta sintomas e pode até mesmo ser confundido com outras condições.

O que é a doença de Hashimoto?
A endocrinologista Rosália Padovani, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica que a tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune em que o organismo produz anticorpos contra a própria tireoide.

Essa glândula, localizada no pescoço, é responsável pela produção de hormônios que regulam o metabolismo, fertilidade, sensação de bem-estar, crescimento, entre outras funções essenciais..

Vira hipotireoidismo ou hipertiroidismo?

O problema cria uma tireoidite crônica, ou seja, uma inflamação da tireoide que com o passar do tempo pode comprometer a produção dos hormônios tireoidianos, caracterizando o hipotireoidismo.

Por outro lado, a agressão à tireoide pelos anticorpos pode destruir os folículos e gerar um hipertiroidismo transitório, que é o excesso dos substâncias tireoidianas, cujos sintomas incluem perda de peso inexplicada, irritabilidade, hiperatividade, alterações no ritmo cardíaco, entre outros.

Causas
Ainda não se sabe exatamente o mecanismo que propicia o surgimento da tireoidite, mas há indícios de que o fator genético contribua com seu aparecimento, o que explica porque ela pode estar presente em mais de uma pessoa da mesma família.

O excesso do mineral iodo também pode colaborar, desencadeando o problema em quem já possui predisposição genética, assim como fatores ambientais como estresse, infecções de repetição, níveis elevados de estrogênio e radiação.

Apesar de atingir pessoas de ambos os sexos e em qualquer idade, a médica Rosália Padovani afirma que tireoidite de Hashimoto é mais comum em mulheres e pessoas com idade superior a 50 anos.

Sintomas de tireoidite de Hashimoto

Por ser uma doença de progresso lento, muitas vezes é assintomática. Os sintomas mais intensos ocorrem quando a doença passa a evoluir para hipotireoidismo, podendo surgir:

  • Fraqueza, sonolência e cansaço
  • Prisão de ventre
  • Pele e cabelos secos
  • Unhas quebradiças
  • Frio excessivo
  • Rouquidão
  • Redução auditiva
  • Dores nas articulações
  • Anormalidades na menstruação
  • Infertilidade
  • Produção de leite sem estar ligada ao pós-parto ou à amamentação, inclusive em homens
  • Falta de libido
  • Inchaço no corpo e rosto
  • Problemas de memória e atenção
  • Irritação e tristeza constante, semelhante à depressão
  • Colesterol elevado

Engorda?
Em alguns casos, há a impressão de que a tireoidite de Hashimoto engorda por gerar gordura, mas, na verdade, ela propicia a retenção de líquido, o que acaba aumentando o peso.

No entanto, a mudança na balança só ocorre quando já há a falta do hormônio da tireoide, ou seja, o hipotireoidismo.

Diagnóstico

Segundo a Dra. Rosália Padovani, a investigação de doenças da tireoide ocorre por exames de sangue que medem o marcador TSH (hormônio que estimula a tireoide). “Caso haja alteração, outros exames devem ser solicitados como [o hormônio] T4L e adosagem de anticorpos antitireoide”, explica a médica.

Tem cura?


“Infelizmente, o processo é irreversível pois o sistema imunológico passa a não reconhecer a tireoide como parte do corpo definitivamente”, esclarece a especialista.

Tratamento da tireoidite de HashimotoSegundo a Dra. Rosália Padovani, a investigação de doenças da tireoide ocorre por exames de sangue que medem o marcador TSH (hormônio que estimula a tireoide). “Caso haja alteração, outros exames devem ser solicitados como [o hormônio] T4L e adosagem de anticorpos antitireoide”, explica a médica.

O especialista pode indicar reposição hormonal quando a tireoidite de Hashimoto passar a manifestar sintomas. Cada paciente recebe uma dose de medicamento com base em seu peso, mas ela pode ser regulada ao longo do tratamento.

A reposição hormonal não impedirá o sistema imunológico de criar anticorpos para destruir a tireoide, apenas amenizará a falta do hormônio.

Dieta
Alguns sites e profissionais indicam o seguimento de uma dieta sem glúten e até mesmo com baixas quantias de carboidratos para quem possui distúrbios da tireoide.

Todavia, ainda não há bases científicas concretas que apoiem tais tratamentos.